Zumbido e Hiperacusia: qual a relação?

Quem convive com o zumbido no ouvido sabe como essa condição pode ser desafiadora. O som constante, que não vem de fora, mas parece ecoar dentro da cabeça, muda a forma como a pessoa vive o dia a dia. Para muitos pacientes, no entanto, não é só o zumbido que incomoda. Surge também uma sensibilidade exagerada a sons comuns, como uma conversa, o barulho do trânsito ou até mesmo o som de pratos sendo guardados. Essa condição recebe o nome de hiperacusia. E é justamente aqui que nasce a pergunta: afinal, existe relação entre zumbido e hiperacusia? Por que essas duas condições muitas vezes aparecem juntas e como elas podem impactar tanto a vida de quem sofre com elas?

No Z.Cast, conduzido pela Dra. Lígia Morganti e pela Dra. Sandra Bastos, ambas otorrinolaringologistas especializadas em zumbido e tontura, esse tema ganha um espaço importante. E neste artigo vamos aprofundar essa conversa, trazendo informações que ajudam a entender melhor o que é hiperacusia, como ela se relaciona com o zumbido e quais são os caminhos possíveis para buscar alívio.

O que é o zumbido no ouvido

Antes de falar da conexão, é importante lembrar o que caracteriza o zumbido. Ele não é necessariamente uma doença, mas sim uma condição. No entanto, ele pode ser tratado como tal quando afeta o dia a dia do paciente. Ele pode surgir em consequência de várias condições, como exposição a sons muito altos, envelhecimento, alterações metabólicas, problemas de circulação, estresse, ansiedade e até efeitos colaterais de medicamentos.

O zumbido pode se manifestar de diferentes formas: um apito, chiado, pulsação ou até mesmo um barulho semelhante a cigarras. Para algumas pessoas, é constante e intenso. Para outras, aparece em momentos específicos. Mas em qualquer caso, ele tende a gerar ansiedade, dificuldade de concentração e, em muitos pacientes, uma sensação de perda de controle.

Por isso, compreender os fatores envolvidos na percepção do zumbido é o primeiro passo para buscar o tratamento do zumbido adequado.

O que é hiperacusia

Enquanto o zumbido é um som interno, a hiperacusia é uma percepção distorcida do ambiente sonoro. Pessoas com hiperacusia escutam sons comuns como se estivessem mais altos ou mais agressivos do que realmente são.

É importante diferenciar: não se trata de ouvir “melhor” do que os outros, mas sim de uma alteração no processamento do som pelo cérebro. A consequência é que atividades corriqueiras podem se tornar dolorosas ou insuportáveis.

Um detalhe relevante é não confundir a hiperacusia com a misofonia ou a fonofobia. Na misofonia, há uma reação emocional negativa muito forte diante de sons específicos, como mastigar ou digitar. Já na fonofobia, há medo ou ansiedade extrema em relação a sons. A hiperacusia, por sua vez, é uma condição neurossensorial que amplifica a intensidade dos estímulos sonoros.

Zumbido e hiperacusia: por que eles se encontram

Muitos pacientes relatam que o zumbido veio acompanhado da hiperacusia, ou vice-versa. Isso não acontece por acaso. A ciência sugere que ambas as condições estão relacionadas a alterações na forma como o cérebro processa os sons.

Quando há uma disfunção na via auditiva, o cérebro pode aumentar o “ganho” dos sinais sonoros, como se estivesse compensando uma falta de informação. Esse mecanismo, no entanto, acaba gerando sensibilidade exagerada e também pode alimentar a percepção de zumbido.

Na prática, quem tem zumbido e hiperacusia enfrenta um duplo desafio: além do som interno que nunca vai embora, precisa lidar com a intolerância aos sons externos. Isso gera impacto emocional ainda maior, pois ambientes antes neutros passam a ser evitados.

Impactos na vida do paciente

É impossível falar dessas condições sem tocar no impacto emocional. Pacientes descrevem que o zumbido e a hiperacusia não afetam apenas a audição, mas o bem-estar como um todo.

  • Sono: a dificuldade para dormir é comum, já que o silêncio da noite amplifica o zumbido.
  • Socialização: muitos deixam de ir a festas, restaurantes ou reuniões porque os sons parecem insuportáveis.
  • Emoções: ansiedade, irritabilidade e até sintomas depressivos aparecem com frequência.

Esse peso emocional reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar. Não basta apenas investigar a parte auditiva. É necessário cuidar também da saúde mental e oferecer apoio psicológico.

Como é feito o diagnóstico

Ao procurar um otorrinolaringologista, o paciente passa por uma série de exames que ajudam a identificar a presença e a gravidade tanto do zumbido quanto da hiperacusia.

Entre eles estão:

  • Audiometria: avalia a capacidade auditiva e identifica possíveis perdas.
  • Exames vestibulares: analisam a relação entre o equilíbrio e o sistema auditivo.
  • Testes de tolerância sonora: verificam em que ponto os sons começam a incomodar.

Esses exames permitem diferenciar as condições, entender sua intensidade e direcionar para o melhor plano de tratamento.

Tratamentos disponíveis

Não existe um único caminho que sirva para todos os pacientes. Mas já se sabe que há várias estratégias capazes de oferecer alívio e melhorar a qualidade de vida.

  • Terapia sonora: uso de ruídos controlados para dessensibilizar o cérebro.
  • TCC (terapia cognitivo-comportamental): uma das ferramentas mais eficazes, pois ajuda a mudar a relação emocional com o sintoma, reduzindo ansiedade e sofrimento.
  • Acompanhamento multidisciplinar: psicólogos, fisioterapeutas, dentistas e outros profissionais podem complementar o cuidado.

É fundamental lembrar que, até o momento, não existe cura definitiva. Mas há sim tratamento para zumbido e hiperacusia, que pode reduzir o incômodo e devolver autonomia ao paciente.

Um olhar mais humano sobre o tratamento

Nos episódios do Z.Cast, a Dra. Lígia Morganti e a Dra. Sandra Bastos destacam algo essencial: mais do que técnicas, o paciente precisa de escuta. Muitas pessoas chegam ao consultório após ter passado por diversos profissionais, sem encontrar respostas.

Quando encontram um especialista que entende não apenas o sintoma, mas também o sofrimento emocional, a experiência muda. É nesse ponto que a terapia cognitivo-comportamental se conecta de maneira poderosa com o tratamento, oferecendo não apenas manejo clínico, mas também esperança, ao auxiliar na ressignificação do incômodo que o paciente apresenta com a percepção do zumbido.

Informação que acolhe

Falar sobre zumbido e hiperacusia não é apenas trazer termos médicos e exames. É também acolher a dor de quem vive isso diariamente.

O Z.Cast nasceu exatamente com esse propósito: oferecer informação acessível, mas sem perder o rigor científico. Criado pelas doutoras Lígia Morganti e Sandra Bastos, o podcast traz não só explicações sobre o que é hiperacusia e zumbido, mas também histórias, convidados de outras áreas da saúde e reflexões que ampliam o olhar sobre essas condições.

Se você convive com esses sintomas ou conhece alguém que passa por isso, buscar conhecimento é um primeiro passo. O segundo é procurar ajuda profissional. Informação, quando bem direcionada, pode ser transformadora.

Conheça o Z.Cast!

O zumbido no ouvido e a hiperacusia caminham juntos em muitos pacientes e, quando somados, podem gerar grande sofrimento. Entender a relação entre eles, buscar o diagnóstico correto e conhecer as opções de tratamento faz toda a diferença.

Com informação de qualidade, acolhimento e acompanhamento médico especializado, é possível encontrar estratégias para viver melhor, mesmo diante desses desafios.

E se o tema ressoou em você, vale a pena acompanhar o Z.Cast, espaço em que a ciência se encontra com a experiência de quem lida com pacientes todos os dias. Porque mais do que explicar o som que ninguém ouve, o objetivo é mostrar que ninguém precisa enfrentar isso sozinho.

Se você quer entender mais sobre o universo do zumbido no ouvido, conheça o nosso site e ouça o episódio mais recente, esse pode ser o primeiro passo no caminho para o seu bem-estar auditivo. Estamos presentes nas principais redes sociais e plataformas, confira:

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